Negociação difícil
Em meio a maior crise econômica e política do país, já era de se esperar que os reajustes de preços dos serviços de fretamento eventual, renegociação de contratos e reajustes de salários ficassem abaixo da inflação.
Nos contratos de fretamento não é só a dificuldade de repassar aumento de custos que preocupa o setor, mas também a necessidade dos contratantes em diminuir o serviço, pois o número de funcionários deles também é menor. Sofremos para atualizar os preços e, mais ainda, para reduzir o número de veículos.
É nesse cenário de muita dificuldade que pela primeira vez em 15 anos o repasse aos salários dos trabalhadores do setor ficou fixado, depois de 70 dias de negociação, em 8% ante a uma inflação de 10,03% (FIPE-SP). Mas não é para se comemorar, infelizmente temos muito a lamentar. Apesar de se constituir uma redução dos níveis salariais ela foi bem menor que a perda de volume de faturamento no fretamento contínuo que, em média, reduziu 19% nos últimos doze meses. O fretamento eventual teve queda de mais de 40% e deve demorar muito para se recuperar.
O transporte de passageiros por fretamento responde imediatamente ao crescimento ou aquecimento da economia, mas é também um dos primeiros setores a sentir sua retração.
Deixando as lamentações e dificuldades para trás temos que olhar para frente. Precisamos sim trabalhar desde já e nos preparar para a recuperação da economia, que pode demorar mais do que desejamos, mas ela virá.
Reavaliar os custos de operação, dimensionar adequadamente o mercado redefinindo a estratégia comercial, apesar de necessário, não bastará. Temos que buscar novos mercados e até mesmo criar novos serviços, afinal vivemos numa sociedade conectada que exige inovação e eficiência.
Temos aptidão natural para enfrentar crises, restrições e o combate de outros modais de transporte. O que temos de menos é a união de propósitos, mas isso só depende de nós.
Jorge Miguel
Presidente
